Por on 8 de setembro de 2017

Passei menos tempo na Bolívia do que eu gostaria.
No Peru vou ficar mais do que imaginei.
Nessa época do ano esperava estar saindo do Equador e entrando na Colômbia.
Mas o tempo. Quem controla ele? Quem controla alguma coisa?
Uma fração de segundo parado ou pedalando mais rápido muda tudo.
Novos encontros e outros reencontros acontecem.

Às vezes parece que estamos no controle. Ilusão.

Capturar o tempo através das lentes talvez seja a única forma possível.

Ver:

A multidão apressada,
as nuvens de algodão decorando o céu,
a lentidão da bicicleta mesmo acelerada
e as estrelas passeando pela noite,

Faz valer que não faz diferença em que tempo estás, nem aonde.
O que importa é o que fazemos com o nosso tempo.

Avistar uma cena que gere uma boa foto, gasta tempo.
Para a bicicleta.
Apoia
Tira tripé e câmera da bagagem.
Vai para longe.
Monta e ajusta.
Enfoca e enquadra.
Programa fotos em sequência.
Volta para a bicicleta e pedala.
Depois retorna para ver o resultado.

Tudo isso gasta tempo.
Nem sempre fica bom.

Mas é isso que estou fazendo com meu tempo, coisas que eu gosto de fazer.

Às vezes fotografo muito.
Às vezes passo por lugares incríveis e nem mexo na câmera.
Às vezes eu gosto de não fazer nada.

Gravar o tempo em fotografia também é ilusão.
Pois de outra maneira, se eu não fizesse o que eu quero, como eu quero, talvez eu já estivesse na Costa Rica.

Mas o que importa? Se for pra chegar logo, mas não do meu jeito, nem quero. Não agora.

Um dia estarei na Índia, na Mongólia, na Romênia ou talvez nem chegue nos EUA. Quem sabe?

Que a a pressa esteja apenas na velocidade dos timelapses, que acabo revendo no meu tempo.
Um bom tempo depois de faze-los.

E se a viagem tiver que durar menos ou mais por causa disso, que seja.

Mas que continue sendo feliz e me ensinando como é desde o primeiro dia.

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Isra 🇧🇷
Santos - SP

Jornalista, Israel Coifman é paulista de Santos e tem 34 anos. A paixão pelo esporte levou-o à profissão e o trabalho lhe apresentou o mundo. Passou por empresas como MTV, ESPN e Mowa Sports e por seis anos rodou o planeta cobrindo a seleção brasileira de futebol. Começou como freelancer e foi editor, repórter, produtor, videomaker, diretor de fotografia e deixou a função de head de video da agência Mowa Sports para ir atrás de um sonho genuinamente seu: viajar o mundo de bicicleta.

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