Hemsul
Diário de Bordo

Metade do mundo do lado de cá 

Por on 1 de novembro de 2017

Se dividirmos o globo em dois gomos, tal qual uma laranja partida ao meio, pode-se dizer que percorri a primeira metade de um deles, ou ao menos um bom pedaço de terras das Américas que as grandes navegações europeias se consagraram por “descobrir” há mais de 500 anos.

América que já era – e sempre foi – dos andinos, mapuches, quechuas, incas, aymaras, maias, tupis, guaranis, xavantes, ianomâmis e tantos outros.

América indígena, gaucha, porteña, tropical, alegre, amiga…Latina. Nossa. De todo mundo. De serra, selva e costa. De desertos, montanhas, rios, lagos, praias, sol, chuva e neve. América brasileira, uruguaia, argentina, chilena, boliviana, peruana, equatoriana e de outras nações que ainda não percorri. São tantos nomes para um povo único em mistérios e diversidade. Como é bom ver bem de perto algumas dessas raízes!

Foi através destas nações, criadas após conquistarmos independência dos espanhóis e portugueses, que cruzei as imaginárias linhas fronteiriças.

Foram 8878 quilômetros pedalados em 324 dias de viagem desde o sul do Brasil até enfim poder dizer oficialmente que, ao atravessar a Linha do Equador, estou no hemisfério norte.

Lembro-me das aulas geografia quando tínhamos que estudar o atlas e desenhar os contornos continentais em papel vegetal. Também recordo com muito carinho de um globo giratório que a minha avó tinha e que logo virou meu. Decorava o meu quarto e era instrumento de sonho. Com os olhos fechados girava e apontava para um possível destino de quem sabe um dia.

Mas o que eu mais brincava na infância era de soltar pipa. Me fascinava descarregar os tubos de linha 10 corrente e ver as armações de bambu que eu mesmo fazia irem para bem alto e muito longe. Eu não gostava de passar cerol, só queria voar.

Já existia alguma poesia ali.

Soltar pipa foi quando experimentei a liberdade pela primeira vez. E agora estou aqui, viajando por aqueles mapas, rodando o globo da vovó, mais livre que qualquer pipa. Tão vivo e feliz quanto aquela criança que sonhava em ir pra longe.

Para o norte e avante!

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Isra
Santos - SP

Jornalista, Israel Coifman é paulista de Santos e tem 35 anos. A paixão pelo esporte levou-o à profissão e o trabalho lhe apresentou o mundo. Passou por empresas como MTV, ESPN e Mowa Sports e por seis anos rodou o planeta cobrindo a seleção brasileira de futebol. Começou como freelancer e foi editor, repórter, produtor, videomaker, diretor de fotografia e deixou a função de head de video da agência Mowa Sports para ir atrás de um sonho genuinamente seu: viajar o mundo de bicicleta.

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